07/06/2016

Larga a mão de ser besta, guria!

Já lá vão uns meses e, a pouco e pouco, aprende-se a viver outra vez, que a vida não espera por ninguém.

No final, ficam algumas conclusões:

- De frases feitas e boas intenções está o inferno cheio. Em boa verdade, não servem para nada.

- Já diz o povo (que frase mais feia!) que pimenta no cu dos outros para mim é refresco (ou lá que é) e há muito "boa" gente que se rege por este ditame.

- Quem não está presente nos momentos maus, também não vale a pena aparecer nos momentos bons.

Talvez isto soe a discurso azedo. Se calhar é um bocadinho. Desculpem, é que eu sou um bocadinho parva. Altero os meus planos para acorrer às emergências dos outros, atendo aquela chamada que já sei que vai demorar duas horas quando estava mesmo para me ir deitar, porque sei que sou precisa naquele momento e estou sempre disponível para um favorzinho. E isto faz de mim parva? Faz um bocado a partir do momento em que é só para um dos lados. E depois fecho os olhos e arranjo desculpas para ser assim: é que as pessoas estão a passar uma má fase, é que têm muito trabalho, por aí fora. Não posso ser mais parva ou posso? Posso, sim. Posso comer e calar e continua tudo na mesma em nome de uma amizade de não sei quantos anos. Pois aqui pára tudo, que uma amizade não pressupõe a existência de uma pessoa só. Para isso, arranja-se um amigo imaginário.

Passar por uma fase má tem destas coisas. Separa-se o trigo do joio. Sabemos quem nos manda mensagens a perguntar como estamos, se queremos falar, se queremos companhia para chorar. Alguém que nos diz que percebe que dói, alguém a quem dói por nos estar a doer. Também sabemos quem nos manda mensagens a dizer que se for preciso alguma coisa que podemos contar com elas e que depois desaparecem durante semanas e voltam para perguntar: então, e novidades? como se nada se tivesse passado. Quando vamos ao lado de lá e voltamos é óbvio que precisamos de alguma coisa (um abraço, uma palavra de conforto, qualquer coisa), não é preciso andarmos atrás das pessoas que supostamente são nossas amigas para isso.

Está na hora de deixar de ser parva. Está bem claro quem está lá e quem não está.

Posto isto, vamos lá sacudir o pó ao estaminé e deixar o ar fresco entrar.

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